Está decidido!
Dia 25 de Outubro voltamos aos nossos encontros mensais.
Estou tão animada!
Mulheres de hoje…quem somos?
A Mulher de hoje, é um borrão de actividades.
Sofremos pressões no sentido de ser tudo para todos.
Nascidas numa cultura onde não nos deixam subir ás árvores quando vemos os nossos amigos a divertirem-se tanto, em que temos que cruzar as pernas quando usamos saias, onde para garantir a nossa independência financeira vestimos calças e trabalhamos mais que 8h diárias e ganhamos pouco, onde ser uma boa mãe ainda implica ficar com a tutela integral dos filhos e ligar para o ex a avisar que já devia ter vindo buscar os meninos há 3 horas… onde fica o cuidar de nós mesmas?
Muitas dirão “sinto-me preenchida com toda esta agitação”. É normal, com tantas coisas que fazemos é difícil constatar que somos inúteis.
Mas então porque será que nos breves momentos em que por milagre o tempo parece que pára, e viramos o olhar para um ponto para lá do infinito, em que nada vemos mas tudo enxergamos, e sentimos a alma vazia? Ou na melhor das hipóteses, pouco preenchida?
Geralmente, depois deste primeiro contacto, voltamos ao trabalho ainda com mais força e energia, afastando os pensamentos e achando que só pensamos em tontarias. Afinal, sempre nos disseram que éramos fracas a pensar!
Mas… uma vez feito o primeiro contacto, a ligação estabelece-se, e a partir daí, gradualmente, a voz de suplica da alma vai se tornando cada vez mais constante e mais forte. Podemos até calá-la, mas não a podemos deixar que se movimente dentro de nós e se não lhe damos atenção ela pode fazer grandes estragos. Ela manifesta-se em tristeza no toque, olhar sem brilho, apatia nos movimentos, sorrisos forçados, respostas azedas, os instintos e ciclos naturais são perdidos,
Compreender que dentro de cada uma de nós, há uma força que nos impulsiona para “um ir mais além” não é uma religião, mas uma prática.
Uma prática que deve ser atendida a todos os momentos e ao longo de todas as nossas respirações. Trata-se de conhecimento da alma.
A esta alma chamaremos Mulher Selvagem. E sem ela, não temos ouvidos para ouvir o discurso das nossas entranhas ou para registrar a melodia dos nossos próprios ritmos interiores. Sem ela, a visão íntima é impedida pela sombra de uma mão, e grande parte dos nossos dias é passado num tédio paralisante ou então em pensamentos ilusórios. Sem ela, perdemos a segurança do apoio da espontaneidade. Sem ela, esquecemos o motivo pelo qual estamos aqui; agarramo-nos às coisas quando, muitas vezes, seria melhor afastarmo-nos delas. Sem ela, exigimos demais, de menos ou nada. Sem ela, calamo-nos quando na verdade estamos a arder.
A Mulher Selvagem é o nosso instrumento regulador, o nosso coração, da mesma forma que o coração humano regula o corpo físico.
Alimentar a nossa Mulher Selvagem é a saúde para todas as mulheres.
guida g.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
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